S/T I
De solidão em solidão
arredio
arremesso o ímpeto do mutismo
à espera de uma voz solidária
que recolha meu perdão
27-11-21
S/T II
Sou a fúria do corpo
e o despojamento da mente
vem
masturbe minha alma
antes do entardecer
27-11-21
S/T III
Choro flores que menti
em espaços que não senti
e de segunda a segunda
regurgito em silêncio
O que não vivi
27-11-21
S/T IV
Fugindo da flacidez do chão
subi com as garras na frondosa árvore
em busca do meu ninho na cavidade do tronco
de onde aquietado e seguro
contemplei a chuva outonal
27-11-21
S/T V
Recolho o que me resta de ardor
depois da paixão
depois da negação
e me dobro como lençol lavado
no guarda-roupa da ilusão
27-11-21
S/T VI
Só me resta
em noites de angústia
uma folha de papel e uma caneta
para esvaziar o que não me concede
o Absoluto
27-11-21
S/T VII
O que será de mim
de meus gritos escritos na penumbra
entre sóis sujos e chuvas contaminadas
se na masmorra da solidão
ninguém os ouve?
27-11-21

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