O Homem Sem Nome e o Anjo da Identidade
– Desculpe, qual é seu nome?
– Por que você quer saber meu nome?
– Sou o Anjo da Identidade.
– Que brincadeira é essa?
– Não estou brincando. Estou falando sério.
Silêncio. Algo me perturbou. Apelei para o lúdico.
– Meu nome é Aitor Haritz.
– Aitor Haritz é seu pseudônimo.
– Como você sabe?
– Eu já lhe disse: sou o Anjo da Identidade.
Sorri. Que cara esquisito. Dei corda.
– Meu nome é David Haize.
– David Haize é seu alter ego.
Sorri novamente. Mas o sorriso se apagou nos meus lábios perante o aumento da perturbação. Constatei de repente que eu não me lembrava do meu nome. Que acontecera? Quem era esse indivíduo que me trouxera o desassossego da memória?
Durante uns segundos silenciosos, olhamo-nos. Perguntei então:
– O que você quer de mim?
– Nada. Apenas confirmar seu nome real.
– Se você sabe meu nome, diga-o logo.
– Cabe ao senhor dizê-lo.
– Acontece que eu não me lembro.
– Como não se lembra?
– Como vou saber? Simplesmente esqueci.
– Estranho, o senhor esquecer seu nome.
– Mas eu me lembro do meu alter ego e do meu pseudônimo.
– Isso não basta.
– Lamento, mas não posso fazer nada.
– O senhor foi acusado de não existir de fato.
– De não existir? Como assim? O que você quer dizer?
– O senhor parece ser uma fraude. Um escritor que não existe realmente.
– E o que posso fazer para sair dessa?
– Fale com seu amigo Joseph Deschamps e com sua amiga Anastacia Lazarovna. Talvez eles possam ajudá-lo.
– Com Joseph Deschamps e Anastacia Lazarovna…
– Lembra-se deles?
– Sim, claro.
– Tenha um bom dia.
Virou-se e foi embora. Era um belo dia de outono quando o Anjo da Identidade bateu na minha porta.
15-02-23

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